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28/07/2010
R7
Brasileiros descobrem por que veneno de jararaca provoca hemorragia
Pesquisadores do Instituto Butantan descobriram como o veneno da cobra jararaca causa hemorragia e pode provocar a amputação de partes do corpo, caso o ataque ocorra nas extremidades dos dedos das mãos e dos pés. A descoberta do mecanismo pode levar ao desenvolvimento de tratamentos para o problema.
Quando alguém é picado por uma cobra, o veneno causa complicações chamadas de sistêmicas, como sangramentos, náuseas, vômitos, pressão alta e problemas na coagulação do sangue. O tratamento para isso em geral é feito com o soro antiofídico, que faz com que o paciente não morra e se recupere.
Mas pode haver também problemas locais na região da ferida, como dor, inchaço, manchas arroxeadas e hemorragia. Se o quadro se agravar e não houver tratamento adequado, pode haver necrose (morte do tecido), o que pode levar à amputação.
Em 2008, o Ministério da Saúde registrou 26,9 mil casos de picadas por cobras venenosas, sendo mais de 70% por cobras da família das jararacas. Desses casos, em 10% houve sequelas por causa de complicações locais.
Agora, os cientistas brasileiros descobriram qual é o mecanismo que leva ao sangramento da área afetada. Uma proteína chamada jararagina, presente no veneno da jararaca, se acumula nos vasos sanguíneos e começa a “machucar” as células ao redor, o que induz a saída de sangue.
No estudo, os pesquisadores infetaram o veneno em camundongos e marcaram essa proteína com uma cor fluorescente, o que permite analisar o caminho feito por ela no corpo do animal, com o uso de microscópio.
Cristiani Baldo, pesquisadora de departamento de imunopatologia do instituto, diz que a proteína tem uma ação rápida sobre o corpo.
– Não existe um tratamento específico para esses efeitos locais do veneno. Em geral o paciente toma anti-inflamatórios para melhorar. Mas há casos de acidente graves, em regiões afastadas, onde não é possível dar tratamento adequado.
Cristiani espera que a descoberta possa levar ao desenvolvimento de substâncias que inibam essa classe de proteínas e impeçam sua ação sobre a área afetada. Esses compostos poderiam ser inseridos no soro que já é dado para vítimas de ataque de cobra.
O estudo foi publicado pela revista científica norte-americana PLoS Neglected Tropical Diseases.
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